Centenário da Batalha de La Lys Em Memória de Maurice Symington

Em memória de Maurice Symington, que combateu com o Corpo Expedicionário Português em 9 de abril de 1918

No início desta semana, o Presidente e o Primeiro-Ministro de Portugal juntaram-se ao Presidente Francês em Paris e depois em Richebourg, na região da Flandres Francesa, para assinalarem o centenário da Batalha de La Lys, onde o Corpo Expedicionário Português foi atacado por forças alemãs — cinco vezes mais numerosas. Os chefes de estado das duas nações visitaram o Cemitério Militar Português de Richebourg onde renderam homenagem aos soldados portugueses caídos na batalha.

Em 1918, Maurice Symington era um 2º-Tenente da Royal Field Artillery, Exército Britânico, no qual se alistara ao terminar a escola em agosto de 1914. Sendo fluente em português, integrava a Missão Britânica ao Corpo Expedicionário Português cujos 55,000 homens se tinham juntado à causa aliada em França em 1917.

No dia 9 de abril de 1918, o 2º-Tenente Symington estava junto da artilharia portuguesa em França, um pouco atrás das trincheiras, entre Armentières e Festubert, quando o Exército Alemão lançou um dos mais poderosos ataques da Grande Guerra. Oito divisões alemãs, constituídas por cerca de 100,000 homens, atacaram as forças portuguesas com cerca de 20,000. Apesar da heroica resistência lusa, as posições portuguesas cederam e a vizinha unidade britânica (119ª Brigada da 40ª Divisão do Exército Britânico) também foi obrigada a abandonar as suas posições. As verdadeiramente terríveis baixas totais do lado dos aliados durante a Batalha de La Lys (7 a 29 de abril de 1918) ascenderam a cerca de 120,000 homens.

Eis um extrato do diário do 2º-Tenente Maurice Symington, de 23 anos, com data de terça-feira 9 de abril de 1918, quando combatia com o Corpo Expedicionário Português em França:

Acordei às 4 da manhã com bombas de artilharia inimiga. Tremendo bombardeamento por todo o lado. SOS de todos os lados. Todas as linhas cortadas. Obuses a caírem à cadência de 10 cada minuto. Continuou até às 9, quando os boche atacaram e depois disso até às 14:15, quando a barragem de fogo finalmente cessou. Metralhadoras inimigas em ação por todos os lados, incluindo duas posições à nossa retaguarda. Decidimos evacuar às 14:45. Mal escapámos a tempo. Fui para Lestrem, mas não encontrei ninguém. Cheguei por fim a Calonne sur-la-Lys. A minha roupa consistia de pijamas, botas, calças e o meu sobretudo da farda. Também a pistola e um pacote de cigarros. ‘If’, o meu cão, não me largou e também escapou. Não sei como não fomos todos mortos. A pior coisa que alguma vez passei na vida.

Maurice Symington teve a sorte de estar entre os sobreviventes e regressou a Portugal, juntamente com o seu fiel cão, ‘If’, após o final da guerra em novembro de 1918. Foi-lhe posteriormente atribuída a Ordem Militar de Avis e recebeu uma nota de honra Mentioned in Despatches, que destacou os seus corajosos e distintos serviços em combate, num diploma assinado por Winston Churchill, então secretário de estado da guerra do governo britânico.

Maurice juntou-se ao seu pai como produtor de Vinho do Porto em Portugal no final de 1918, onde hoje os seus descendentes continuam a longa tradição familiar. Faleceu em abril de 1974, no mesmo quarto onde havia nascido, no número 1283 da Avenida da Boavista no Porto. Seu pai, Andrew James Symington, era produtor de Vinho do Porto que havia chegado a Portugal com 18 anos, oriundo da Escócia, em 1882. A sua mãe era Beatriz Leitão de Carvalhosa Atkinson, oriunda de uma família luso-britânica, ligada à produção de Vinho do Porto desde o século XVII.

 




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